2. Igreja de Santana do Campo - Concelho de Arraiolos
- Este curioso edifício demonstra como os locais de culto permaneceram no mesmo local ao longo dos séculos. No caso concreto podemos ainda observar o templo romano, os vestígios muçulmanos e o templo cristão.
A Direcção Geral dos Edificios e Monumentos Nacionais descreve assim o nosso monumento:
“ -Edifício de planta rectangular centralizada, composta pela articulação horizontal de nave e ábside, com cobertura homogénea de telhado de duas águas para os dois elementos, que de resto se articulam em continuidade plena. Fachada principal virada a O., rasgada pelo vão do pórtico de cantaria granítica esquadriada, com o lintel datado de 1715, sobre o qual o paramento cego é ornamentado com tabela ovalada de estuque, com a data de 1884; remate triangular definido pelo pendente dos beirados. As fachadas N., S. e E. são marcadas por sequências de gigantescos pilares graníticos de silharia almofadada, com secção quadrada, que parecem reforçar e ornamentar os paramentos de imponente construção romana, que devem andar embebidos no revestimento de alvenaria do templo cristão.
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| Ainda é bem visível a estrutura do templo romano e a ábside da cabeceira deixa supor a sua utilização como mesquita muçulmana durante o tempo da ocupação mourisca. |
Época Construção : Romana
Cronologia : Séc. 2 / 3 d. C. - templo romano cujas ruínas ficaram incorporadas na cabeceira da Igreja; Séc. 15 - fundação do templo cristão, deduzida do vestígio mais antigo, imagem da padroeira (ESPANCA, 1975); 1534, após - reforma geral do templo cristão; 1715 - data aposta no dintel do pórtico, correspondente a reforma integral da fachada e interior.
Bibliografia : PREREIRA, Gabriel, Antiguidades Romanas em Évoa e seus Arredores in Estudos Eborenses, Évora, 1891; CORREIA, Vergílio, Monumentos e Esculturas, Coimbra, 1924; ALARCÃO, Jorge, Portugal Romano, Lisboa, 1973; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Évora, Vol. 8, Lisboa, 1975; ALARCÃO, Jorge, Roman Portugal, London, 1988.”
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| A fachada é própria do templo cristão actual. |
Refira-se que “em 1916 o ilustre arqueólogo Vergílio Correia estudou o edifício, confirmou a importância das milenárias ruínas e admitiu, com bases cientificas as suas características, projectou uma planta conjectural e atribuiu, ao TEMPLO, o culto de “Carneus”, dinvidade lutitânica ou cúnea.
Se este monumento prova que a povoação é antiga, certa é ainda na área envolvente a presença humana deste o IV Milénio a.C., como o atestam as Antas das Coelhas, das Picanceiras e da Freixa, importantes monumentos megalíticos referenciados nos estudos para a “Carta Arqueológica de Arraiolos”.
Nesta publicação, António Carlos Silva e José Perdigão referenciam ainda que os vestigios romanos em Santana do Campo, poderiam corresponder a um “vicus” em resultado da romanização de uma anterior localidade indígena.


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