sábado, 28 de dezembro de 2013

LUGARES - TERRAS DA GIESTEIRA - ÉVORA - ALENTEJO

Já na Boa Fé, a igreja é uma daquelas jóias do nosso Património, perdidas no dito Portugal profundo (e Desconhecido)



 A Igreja de Nossa Senhora da Boa Fé foi edificada no início do século XVI, tendo sofrido alterações posteriores ao longos dos séculos XVII e XVIII. 

De planta rectangular, com fachada voltada a norte, este templo conserva da construção original o portal manuelino, com um arco apontado emoldurado por um arco em cortina rematado por pinhas e coroado por uma cruz de Santiago. Lateralmente, as colunas que ladeiam o pórtico são coroadas por cogulhos. 
A nave, de planta rectangular e cobertura em abóbada de berço, apresenta-se forrada por painéis de azulejos setecentistas com temas marianos, cuja execução é atribuída à oficina lisboeta dos Bernardes. Ladeando a capela-mor, foram abertas duas capelas laterais dedicadas a Cristo Morto e a Nossa Senhora do Rosário. A capela-mor, igualmente coberta por painéis de azulejos com temas da vida da Virgem, apresenta ao centro um retábulo de talha cujo trono é encimada por uma escultura quinhentista policromada de Nossa Senhora da Boa Fé (a Virgem com o Menino), numa alusão à invocação do templo. Anexa à igreja está a sacristia, dividida em duas dependências, sendo uma delas de traça original da campanha quinhentista, com cobertura de abóbada nervada.
Catarina Oliveira 
GIF/ IPPAR/ 2004








LUGARES - TERRAS DA GIESTEIRA - ÉVORA - ALENTEJO

A antiga Freguesia de São Sebastião da Giesteira era curado da apresentação do Arcebispado de Évora, no termo da dita Cidade. 
Por Decreto de 12 de Julho de 1895, foi anexada ao Concelho de Montemor-o-Novo, tendo voltado para o de Évora pelo Decreto de 13 de Janeiro de 1898. Foi posteriormente anexada à Freguesia da Graça do Divor, no ano de 1911, situação que se manteve até à publicação do Decreto-Lei n.º12509, de 18 de Outubro de 1926, em que é constituída Freguesia, tendo anexa a de Nossa Senhora da Boa Fé. Extinta pelo Decreto-Lei n.º 27424, de 31 de Dezembro de 1936, foi novamente recriada pelo Decreto-Lei n.º 386/75, de 22 de Julho  e outra vez extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, para, em conjunto com Nossa senhora da Boa Fé, formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de São Sebastião da Giesteira e Nossa Senhora da Boa Fé da qual é a sede.
S. Sebastião


A igreja paroquial de S. Sebastião foi fundada no século XVI, mas sofreu alterações posteriores, tendo subsistido apenas a capela-mor e duas pequenas torres cónicas ameadas."O edifício, exemplar genuíno da arte rústica, foi fundado no séc. XVI, mas sofreu reconstruções ulteriores. Daquela época ficou representada, apenas na capela-mor, de planta rectangular, terminada angularmente, por dois pequenos torreões cilíndricos sobrepujados de torrinhas cónicas envolvidas por merlões chanfrados. A fachada principal está voltada ao ocidente, com robustos contrafortes de alvenaria, alpendre de quatro arcos redondos e campanário vulgar, decorado por pináculos e sino de bronze, antigo." Interiormente o altar-mor é de talha dourada, rocócó, onde se encontra uma imagem do padroeiro do século XVII. Não revela particularidades de grande interesse artístico.
    BIBL.- Túlio Espanca, Património Artístico do Concelho de Évora , 1957, 


ÉVORA - Igreja de Santo Antão e Praça do Giraldo.

No local onde se erguia a antiga ermida gótica de Santo Antoninho, foi erigida entre 1557 e 1563 sob égide do Cardeal D. Henrique a Igreja de Santo Antão, cujo traçado original pertence a Afonso Álvares com direcção arquitectónica de Manuel Pires. Inspirada na tipologia espacial hallenkirchen das igrejas-salão do Renascimento, dinamizada pelo arquitecto Miguel de Arruda em igrejas como a Misericórdia de Santarém, o templo sofreu desde cedo algumas vicissitudes, tendo sido abalado por um forte tremor de terra em 1568, que obrigou a que em 1570, em empreitada do mestre Brás Godinho, fossem realizadas obras de consolidação das colunas e do abobadamento.

A fachada principal da igreja está estruturada em três tramos rasgados por janelas de secção rectangular e divididos por pilastras . Nos cantos, duas torres quadrangulares, aparelhadas em granito enquadram a fachada. O coroamento do alçado principal, com cúpulas e frontões, foi iniciado por Brás Godinho mas só veio a ser terminada no século XVIII. Três portais, no eixo de cada um dos tramos, dão acesso à igreja, sendo que o portal axial, rematado com empena triangular e inserido em falso arco de volta perfeita, possui uma lápide de homenagem ao cardeal D. Henrique. Das fachadas laterais são de destacar os fortes botaréus de pedra lavrada . A amplitude espacial do interior desta igreja salão provém da abóbada única, quase plana, recortada com nervuras de aresta, que cobre as três naves. Os cinco tramos das naves são marcados pelas colunas jónicas, impressionantes nas suas proporções, conferindo ao espaço uma "certa imponência aliada à severidade peculiar dos edifícios sagrados do fim da renascença portuguesa" (Túlio ESPANCA, 1966). A capela-mor foi decorada por iniciativa do Arcebispo D., Luís da Silva Teles, em 1697, com um belo retábulo do Estilo Nacional, do mestre entalhador Francisco da Silva, integrando duas telas tenebristas do pintor régio Bento Coelho da Silveira, A Última Ceia e a Matança dos Inocentes. Dos altares laterais, todos com seus retábulos de talha, destacam-se um São Miguel e as Almas do pintor-poeta Jerónimo Corte Real (c. 1570), e um Santo Agostinho do pintor Francisco Vieira Lusitano (c. 1720). SCP    Fonte "site" IGESPAR
Nave central
Talha do altar-mor
























A Fonte da Praça de Giraldo 
(classificada como Monumento Nacional, Dec.16-06-1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910, ZEP, DG 101)
Praça vista da torre sineira da Igreja de Santo Antão
Recentemente a Câmara Municipal submeteu a Fonte da Praça de Giraldo a uma obra de conservação e restauro, devolvendo-lhe a sua magnitude e beleza.
Esta fonte é um dos monumentos mais interessantes do património hidráulico eborense, de arquitectura civil renascentista, construída provavelmente entre 1571 e 1573, é considerada uma sumptuosa peça do seu género na região.
Vários investigadores mencionam que a localização da fonte corresponde ao espaço anteriormente ocupado por um arco triunfal ou um pórtico romano. E que junto a este legado se construiu durante o século XV ou XVI o suposto Chafariz dos Quatro Leões, com esculturas que datavam provavelmente do período romano e que recebiam água do Aqueduto da Água da Prata. Terá sido por ordem do Cardeal-Infante D. Henrique que se demoliu todo este património, supostamente por estas construções taparem a frontaria da Basílica de S. Antão, então recentemente edificada, dando lugar à construção da actual fonte.
Construída em estilo barroco, a fonte teve como tracista o arquitecto Afonso Álvares, mestre das obras da Comarca e do Cano Real, sob orientação de Joane Mendes Cicioso, tendo custado, pelo menos, a quantia de 5000 cruzados.

Para a construção do seu bojo, segundo Túlio Espanca, a 6 de Novembro de 1571, foi preciso romper uma ombreira da Porta da Lagoa para poder passar um bloco de mármore branco de Estremoz, que pesava muitas toneladas. Constituída por um único tanque, de secção redonda, a fonte assenta numa base de braceletes. Tem oito mascarões com bicas em bronze, antropomórficas, concebidas no gosto clássico, que envolvem a taça e correspondem às oito ruas que vêm desembocar na Praça de Giraldo.  Na base em que assenta a coroa apresenta-se a seguinte inscrição latina de homenagem, em letra romana: SEBAS / TIANO / LVSIT / REGI / PIO FE / LICIN / VICTO / VITA
Segundo a história popular, Filipe III de Espanha, em 1619, terá dito a lendária frase quando se referia à fonte: Bien merece ser coronada! 



 Legenda do desenho: A fonte em 1848, segundo Luís Coelho, que se baseou num desenho publicado na Revista Popular, de um autor anónimo. Reprodução das oficinas da Imprensa Nacional. *
* in, João Rosa, Iconografia Artística Eborense – subsídios para a história da arte no Distrito de Évora, Imprensa Nacional, Lisboa, 1926, p. 19.

No desenho, ainda é visível ao fundo da praça, a velha cadeia manuelina, demolida já no séc XX para a construção do Banco de Portugal.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ERMIDA DE SANTA LUZIA  - Concelho de Alvito

Esta ermida situa-se no concelho de Alvito, no campo. É pequena e estranha. No entanto há arqueólogos que apostam ser este o local onde se ergueu a pira funerária em que Viriato foi cremado. Seria este fogaréu de pedra o marco da última homenagem ao grande guerreiro lusitano. O topónimo de "luzia" ajuda a valorizar esta hipótese. Trata-se de um pequeno edifício constituído por uma galilé e uma capela de planta quadrangular coberta por uma cúpula coroada por um fogaréu.








As fotos a preto e branco documentam o estado em que se encontrava o edifício em 1961 antes do restauro. 

A página do IGESPAR diz o seguinte:



"Edificada possivelmente no início do século XVI, fazendo um reaproveitamento de um morabito, a Ermida de Santa Luzia é um pequeno templo rural situado no perímetro de Alvito.
A sua construção data do período de evangelização dos padres trinos na região, tendo sido possivelmente patrocinada por D. Diogo Lobo da Silveira, conde de Alvito (ESPANCA, Túlio, 1993).
O pequeno templo é constituído por dois corpos distintos, correspondentes à ermida e ao alpendre. O alpendre de alvenaria caiada, edificado no século XVII, é aberto por três arcadas plenas.
O corpo principal, de planta quadrada, é coberto por uma cúpula cónica, revestida de um conjunto de pintura mural, executada no século XVII pela oficina de José de Escovar, representando figuras de santos e anjos músicos, enquadrados por ferroneries e cartelas (SOUSA, Catarina V.,2003,p.69).
Catarina Oliveira"
GIF/IPPAR/ 5 de Maio de 2005:


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

MONUMENTOS MEGALÍTICOS EM PORTUGAL
PEDRA DOS NAMORADOS

Embora referenciado como monumento megalítico, trata-se na verdade de um afloramento natural de granito em forma de cogumelo, de altura superior a 2 metros, com gravuras megalíticas do tipo “covinhas” e sempre atapetado por pequenas pedras soltas. Trata-se de um menir ou pedra da fertilidade, cristianizado e convertido em "passo" das procissões de seca que tinham lugar entre a ermida de Nossa Senhora do Rosário e a Aldeia do Mato (actual São Pedro do Corval).


Segundo arcaica tradição, ainda hoje existente, as raparigas solteiras, cumprindo um rito pagão de fertilidade, vão ali, pela Segunda-Feira de Páscoa, lançar uma pedra para cima do menir e consultá-lo em matéria do seu casamento. Cada lançamento falhado representa um ano de espera. Por vezes as pedras de umas derrubam as de outras.....


É um raro exemplo de idolatria que comprova uma evidente continuidade dos cultos relacionados com a fecundidade, aos quais, em tempos históricos, aparecem muitas vezes associados antas, menires ou simples pedras como esta.


sábado, 14 de dezembro de 2013

EDIFÍCIOS NOTÁVEIS (por motivos diversos....)

2. Igreja de Santana do Campo - Concelho de Arraiolos


  • Este curioso edifício demonstra como os locais de culto permaneceram no mesmo local ao longo dos séculos. No caso concreto podemos ainda observar o templo romano, os vestígios muçulmanos e o templo cristão.

A Direcção Geral dos Edificios e Monumentos Nacionais descreve assim o nosso monumento:

“ -Edifício de planta rectangular centralizada, composta pela articulação horizontal de nave e ábside, com cobertura homogénea de telhado de duas águas para os dois elementos, que de resto se articulam em continuidade plena. Fachada principal virada a O., rasgada pelo vão do pórtico de cantaria granítica esquadriada, com o lintel datado de 1715, sobre o qual o paramento cego é ornamentado com tabela ovalada de estuque, com a data de 1884; remate triangular definido pelo pendente dos beirados. As fachadas N., S. e E. são marcadas por sequências de gigantescos pilares graníticos de silharia almofadada, com secção quadrada, que parecem reforçar e ornamentar os paramentos de imponente construção romana, que devem andar embebidos no revestimento de alvenaria do templo cristão.
                    Ainda é bem visível a estrutura do templo romano e a ábside da cabeceira deixa supor a sua utilização como mesquita muçulmana durante o tempo da ocupação mourisca.
Época Construção : Romana 

Cronologia : Séc. 2 / 3 d. C. - templo romano cujas ruínas ficaram incorporadas na cabeceira da Igreja; Séc. 15 - fundação do templo cristão, deduzida do vestígio mais antigo, imagem da padroeira (ESPANCA, 1975); 1534, após - reforma geral do templo cristão; 1715 - data aposta no dintel do pórtico, correspondente a reforma integral da fachada e interior.

Bibliografia : PREREIRA, Gabriel, Antiguidades Romanas em Évoa e seus Arredores in Estudos Eborenses, Évora, 1891; CORREIA, Vergílio, Monumentos e Esculturas, Coimbra, 1924; ALARCÃO, Jorge, Portugal Romano, Lisboa, 1973; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Évora, Vol. 8, Lisboa, 1975; ALARCÃO, Jorge, Roman Portugal, London, 1988.”
A fachada é própria do templo cristão actual.

Refira-se que “em 1916 o ilustre arqueólogo Vergílio Correia estudou o edifício, confirmou a importância das milenárias ruínas e admitiu, com bases cientificas as suas características, projectou uma planta conjectural e atribuiu, ao TEMPLO, o culto de “Carneus”, dinvidade lutitânica ou cúnea.

Se este monumento prova que a povoação é antiga, certa é ainda na área envolvente a presença humana deste o IV Milénio a.C., como o atestam as Antas das Coelhas, das Picanceiras e da Freixa, importantes monumentos megalíticos referenciados nos estudos para a “Carta Arqueológica de Arraiolos”.
Nesta publicação, António Carlos Silva e José Perdigão referenciam ainda que os vestigios romanos em Santana do Campo, poderiam corresponder a um “vicus” em resultado da romanização de uma anterior localidade indígena.





EDIFÍCIOS NOTÁVEIS (por motivos diversos....)

Templo romano de Évora


  1. Este monumento é conhecido da maior parte dos portugueses. Mas poucos saberão a sua história.... templo romano de Évora está localizado no centro histórico da cidade, o qual foi classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 1986.  O templo romano encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo IGESPAR.  É um dos mais famosos marcos da cidade, e um símbolo da presença romana em território português.



  1. "Iniciada a sua construção na época de Augusto, no século I d. C., terá sido durante as duas centúrias seguintes que a sua edificação se foi completando. Este facto ter-se-á ficado a dever à campanha então empreendida de mudança da malha urbana pré-existente, quando o culto imperial impôs a existência de uma cidadela. 
  2. Como muitas outras edificações, também este templo sofreu alterações estruturais ao longo dos séculos. Assim, logo no século V, seria destruído durante as invasões "bárbaras", enquanto no século XIV serviu de casa-forte ao castelo de Évora, ao mesmo tempo que de açougue. No século XIX ainda apresentava os merlões em forma de pirâmide, erguidos durante as campanhas de adaptação mudéjar e manuelina. Além destes elementos, eram de igual modo visíveis as empenas cegas de onde despontava uma colunata. Finalmente, em 1836, deixou de funcionar como açougue. É nesta altura que são demolidos os edifícios anexos ao alçado N. do Templo, dando-se início àquela que poderá ser considerada como a primeira grande intervenção arqueológica empreendida entre nós, durante a qual se descobriram os tanques pertencentes a um primitivo aqueduto. 
  1.  Em 1863, o investigador Augusto Filipe Simões propôs a demolição de todos os elementos medievais, ao defender a reposição da "traça primitiva" do Templo. É, então, que, num ambiente verdadeiramente romântico e idealizado, o projecto é entregue a José Cinatti, que concebe o seu restauro integral. Este Templo constitui o que resta do forum da cidade de Évora, que uma tradição seiscentista considerou dedicado à deusa Diana mas que, na realidade, seria consagrado ao culto imperial.
  2. De linhas asumidamente clássicas, pertencente a uma tipologia que assistiu ao seu desenvolvimento especialmente no território da Península Ibérica, esta estrutura demonstra uma convivência plenamente harmoniosa entre materiais de construção tão diferentes, como o mármore e o granito. 
  3. De todo o complexo, chegaram até aos nossos dias o podium, quase completo, onde é ainda bem visível a escadaria, apesar do seu desmoronamento. O podium, propriamente dito, encontra-se estruturado numa área de c. de 25 m de comprimento, 15 m de largura e 3,5 m de altura, em cantaria granítica de aspecto irregular, o denominado opus incertum . Quanto às colunas, este Templo - um dos mais bem conservados da P. I. -, apresenta a colunata intacta, composta de 6 colunas, arquitrave e fragmentos do friso no seu topo N, enquanto do seu lado O. surgem apenas 3 colunas inteiras - uma das quais sem capitel e base -, fragmentos da arquitrave e um dos frisos. No respeitante à tipologia, são colunas coríntias com fustes vincadamente canelados, constituídas por 7 tambores de tamanho irregular. As colunas assentam em bases circulares de mármore branco de Estremoz. Em relação aos capitéis, eles apresentam-se lavrados no mesmo mármore, com decoração estruturada em 3 ordens de acantos e ábacos, ornamentados de florões e flores, como malmequeres, girassóis e rosas. 
  4. Escavações mais recentes, nomeadamente as orientadas por Th. Hauschild, revelaram que o Templo seria rodeado por pórtico monumental e um espelho de água". [AMartins] in site do IGESPAR





















domingo, 1 de dezembro de 2013

VATAÇA LASCARIS


Esta princesa, que viveu em Portugal durante grande parte da sua vida, desempenhou papel de relevo na corte de D. Dinis e foi grande amiga da rainha Santa Isabel, é uma figura bastante desconhecida dos portugueses.

Francisco do Ó Pacheco, meu grande amigo e antigo presidente da Câmara Municipal de Sines, quis dar a conhecer a sua interessante vida e escreveu este livro que vivamente recomendo.

Vataça (1268 - 1326) foi criada na corte de Aragão, onde se refugiara sua mãe, após a usurpação do trono de Niceia em 1261. Cresceu ao lado da princesa Isabel e, como sua aia, acompanhou-a  quando esta casou com o rei D. Diniz.

Em 1302 acompanhou a infanta D. Constança, de que era preceptora, quando esta foi desposada pelo rei Fernando IV para selar o Tratado de Alcanizes. Ali permaneceu até à morte de Constança, que deixou o filho Afonso XI de Castela  entregue à sua guarda quando viajou a Ávila, onde as Cortes iriam tomar a decisão sobre a tutoria do novo rei, então menor de idade. A rainha faleceu na viagem e Vataça regressou a Portugal.
Em 11317, D. Vataça estabeleceu uma pequena corte senhorial no Castelo de Santiago do Cacém, que lhe fora doado pelo rei D. Dinis, dedicando-se a administrar e valorizar os seus avultados bens e propriedades. Aí terá vivido até 1325, altura em que seguiu a rainha D. Isabel quando esta se estabeleceu em Coimbra.
Faleceu em 1336 e foi sepultada na Sé Velha de Coimbra, num túmulo ladeado com as armas dos Lascaris, as águias bicéfalas do império bizantino.

 Foi D. Vataça quem mandou construir em Sines a capela de Nossa Senhora das Salvas, agradecendo assim à Virgem por tê-la levado a bom porto após terrível tempestade.

Uma peça única de ourivesaria com mais de oitocentos anos, é a célebre cabeça-relicário de S. Fabião. Trata-se de uma cabeça em tamanho natural, em prata, contendo no seu interior um crânio humano que se “diz” ser do papa e mártir do Cristianismo, São Fabião.  A peça pode ser apreciada na exposição do Tesouro da Basílica Real de Castro Verde.